OpenAI ganha US$ 5,5 bi em warrants de elétrica
Segunda-feira com três contas para revisar: quem paga a energia, quem contou o lucro e quem carimbou o chip. Nenhuma das três fecha do jeito que aparece no comunicado.
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US$ 932,86
US$ 5,5 bi
US$ 160 bi
US$ 11,5 bi
OpenAI recebe US$ 5,5 bi em warrants da elétrica do SoftBank
A SB Energy, braço de geração do SoftBank, prepara IPO com meta de US$ 5 bi a US$ 7 bi e pode protocolar o pedido nesta semana, segundo documentos obtidos pelo Wall Street Journal. Nos papéis aparece o detalhe que interessa: warrants concedidos à OpenAI, avaliados em cerca de US$ 5,5 bi, ou seja, o direito de comprar ação a preço combinado da empresa que vai construir a energia dos datacenters que ela pretende ocupar. O arranjo virou gramática do setor: o fornecedor entrega capacidade firme, o cliente entrega papel, e o investidor de IPO compra a promessa de demanda embutida no meio. Falta o que sustentaria o preço: os documentos não abrem cronograma de projetos, condições de exercício dos warrants nem quanto da geração já está contratado e por quantos anos.
Energia dedicada a datacenter deixa de ser contrato de fornecimento e passa a ser participação societária cruzada, com risco distribuído nos dois lados.
US$ 160 bi do lucro da Big Tech não passaram pelo caixa
Levantamento do Financial Times aponta cerca de US$ 160 bi em ganhos que as grandes de tecnologia americanas registraram com participações em OpenAI, Anthropic e SpaceX, entre outras. Nada foi vendido: é reavaliação de ativo, lançada como lucro. A linha final passou a somar duas coisas de naturezas opostas, receita de nuvem e publicidade, que entra em dinheiro, e valorização de fatia em startup privada, que só se converte se houver liquidez e ao preço da próxima rodada. Pior: parte dessas startups compra compute de quem detém suas ações, então o mesmo ciclo gera ganho de investida e receita de infraestrutura, sem separação óbvia para quem lê o balanço de fora.
Comparar trimestres de Big Tech agora exige descontar reavaliação de fatias privadas, ou o múltiplo sai calculado sobre lucro que nunca virou caixa.
CXMT processa o Pentágono para sair da lista militar chinesa
A maior fabricante de memória da China entrou na Justiça americana contra o Departamento de Defesa com um argumento técnico: sua DRAM segue as especificações civis da JEDEC, o consórcio que padroniza memória no mundo, e não existe linha paralela para uso militar. O rótulo não proíbe venda, mas envenena o resto, porque cliente, banco e fornecedor americano começam a tratar a empresa como risco de conformidade. Para quem vende commodity em volume, esse atrito custa mais caro que uma proibição formal. O timing explica a pressa: US$ 22,4 bi de receita e US$ 11,5 bi de lucro no semestre, o título de empresa mais valiosa da China e o LPDDR6 estreando no dobrável topo de linha da Xiaomi. Outras companhias já venceram disputas parecidas mostrando que o vínculo militar alegado era frágil, e não há prazo para a decisão.
Se o carimbo cair, a memória chinesa ganha passe reputacional para entrar em servidor e aparelho vendidos fora da China, em plena escassez de DRAM.