Google banca reator finlandês por 22 anos
Enquanto o barulho da semana foi de modelo e polêmica de crédito matemático, o dinheiro grande foi para elétron firme e memória cara. Três tiros nessa direção.
+6,55%
US$ 1.028 (+2,75%)
€ 13 bi
+20% a +50%
25 MW
Google compra metade de Loviisa por 22 anos e ancora € 13 bi
O Google assinou com a Fortum um contrato de compra de até 50% da geração da usina nuclear de Loviisa por 22 anos, primeiro PPA nuclear da empresa fora dos Estados Unidos, e vai investir pelo menos € 13 bi (cerca de US$ 15,1 bi) em infraestrutura na Finlândia em 2027 e 2028. O truque está no destino do dinheiro: bancar a extensão de vida e a modernização que mantêm a usina rodando até 2050. Em vez de esperar reator novo, que leva década, o comprador de carga paga para o reator velho não morrer. Loviisa responde por cerca de 10% da eletricidade finlandesa, e uma carga de IA que roda 8.760 horas por ano não negocia com intermitência. São três datacenters novos mais a ampliação de um site, em dois anos.
Financiar prolongamento de usina nuclear existente virou o atalho mais rápido para energia firme na Europa, e a capacidade vai sendo vendida antes de quem chegar depois.
Chip de IA chinês fica até 50% mais caro por causa da HBM
Huawei, Cambricon, MetaX e Iluvatar CoreX subiram os preços de seus aceleradores entre 20% e 50%, segundo fontes ouvidas pela Reuters, e o motivo é um só: memória de alta largura de banda. HBM é o que mantém o chip alimentado rápido o bastante para não ficar ocioso, e é hoje o item mais disputado da cadeia. Quem projeta acelerador na China compra em mercado apertado, com acesso limitado a fornecedor global, e não tem gordura para absorver o aumento. O efeito colateral é político: a substituição de GPU importada se sustentava em preço, e essa vantagem acabou de encolher. Os percentuais vêm de fontes, não de tabela publicada, e ninguém disse se valem para contratos já assinados.
O capex de silício da IA doméstica chinesa sobe de 20% a 50%, o que corrói justamente o argumento de preço que sustentava a troca de GPUs importadas.
Massachusetts só libera datacenter acima de 25 MW com energia limpa própria
A governadora Maura Healey assinou ordem executiva que obriga datacenters com pico acima de 25 MW a trazer geração própria e cobrir 100% do consumo com fontes limpas. É o terceiro estado americano em três meses a apertar as condições, e o primeiro a juntar as duas exigências no mesmo texto. Geração própria já era usada para proteger a rede do salto de carga; exigir que ela seja integralmente limpa fecha a saída barata, que é plantar térmica a gás no terreno vizinho. O limiar de 25 MW pega qualquer campus de treinamento moderno e boa parte dos de inference. Faltam prazos de adequação, tratamento de projeto já licenciado e regra para PPA contratado fora do estado.
Quem planeja campus na Nova Inglaterra agora precisa de PPA limpo fechado antes do terreno, e o custo de entrada sobe antes da primeira pá de concreto.