A Bloomberg detalha o plano chinês de gastar US$ 3,9 trilhões em transmissão e infraestrutura de rede até 2049, com um objetivo que vai além da descarbonização: colocar os elétrons que hoje se perdem dentro de datacenters de IA. Em 2026, aproximadamente 9% de tudo que os parques eólicos e solares geraram foi descartado, energia produzida onde não havia linha para escoar nem consumidor para absorver.
O caso de Gansu, faixa árida no noroeste, resume o problema. Vento e sol em abundância, carga industrial escassa, distância enorme dos centros de consumo. Levar o fio até lá custa caro; levar o servidor até o fio custa menos, e é essa a aritmética que sustenta a política industrial chinesa de instalar capacidade computacional perto da geração em vez do contrário.
A conta só fecha se a carga de IA aceitar a intermitência do recurso, o que vale para treinamento muito mais do que para inference com latência contratada. O cronograma de 23 anos também embute incerteza alta: nenhum plano de rede dessa duração sobrevive intacto a três ciclos de tecnologia.
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