As grandes empresas de tecnologia americanas somaram cerca de US$ 160 bi em ganhos vindos de participações em outras companhias de IA, entre elas OpenAI, Anthropic e SpaceX, segundo levantamento do Financial Times. O dinheiro não veio de venda: é reavaliação de ativos no papel, contabilizada como lucro.
O efeito prático é que a linha final do balanço passou a misturar duas coisas muito diferentes. Uma é receita de nuvem, publicidade e licenças, que entra em caixa. A outra é a valorização de uma fatia numa startup privada, que só se converte em dinheiro se houver liquidez e ao preço da próxima rodada. Analistas citados pela reportagem apontam justamente essa contaminação das métricas de resultado.
O detalhe incômodo é a circularidade: parte dessas startups compra capacidade computacional das mesmas empresas que detêm suas ações. Quem investe e depois vende infraestrutura para o investido registra ganho nas duas pontas, e o balanço não separa isso de forma óbvia para quem lê de fora.
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